Sábado, Novembro 27, 2004
O Silêncio dos Inocentes
Foi em um dia de verão que eu a vi pela primeira vez, seu cabelos pretos contrastavam com o sol e eram de um brilho tão intenso que fiquei ali meio de boca aberta e cheio de admiração . Ela passou e sequer notou-me, mas aquela imagem ficaria marcada por muito e muitos anos em minha mente .
Eu tinha 14 anos e ela 10 nunca nos falamos mas os olhares diziam tudo, meu coração adolescente batia descompassado quando eu a via vindo da escola, com seus cadernos embaixo do braço, com uma saia azul marinho, blusa branca, sapatos pretos e meias brancas. A linguagem do olhar era bastante e não precisava dizer nada. Nas férias, ela sempre viajava para a casa da tia e dai meu coração ficava doendo de saudade e eu esperava com muita ansiedade seu retorno, ficava espreitando a casa dela, tentando ouvir aquela voz tão familiar aos meus ouvidos .
Ela morava numa casa ao lado da minha e muitas vezes ficávamos, ela na janela de sua casa e eu na minha, assim como não quer nada, apenas se olhando e a felicidade era coisa que eu sentia pela primeira vez , na minha vida de criança.
Um dia ela se foi, mudou para o outro lado da cidade .Pela primeira vez na vida eu senti a sensação de perda, só de imaginar que jamais eu a veria bem ali do outro lado da cerca, que separava nossos quintais para mim era o fim do mundo . Eu sempre dava um jeito de ir aonde ela morava, pegava a bicicleta de meu irmão, sem que ele percebe e lá ia eu com o peito cheio de felicidade, cabelo ao vento passar em frente da casa dela .Isso sempre acontecia a noite, que era hora em que a bicicleta estava dando ''sopa''. Eu parava em frente a casa dela, ela subia na garupa e lá íamos nos passeando pela cidade. Não dizíamos nada, não precisava. Nunca pegamos não mão um do outro, nunca trocamos um beijo só olhares, apenas olhares. Eu tinha um bom conceito com o pai e a mãe dela e pela minha cabeça jamais havia passado de que eles sabiam de alguma coisa .
Um dia nossos caminhos desencontraram e se passaram alguns anos e quando a vi ela estava noiva, pronta para casar com outro. E casou... Passado tantos anos, um dia eu encontrei com o pai dela e assim como numa conversa normal ele disse me :
- Você era a pessoa para ser meu genro, mas você bobeou não lutou não disse nada calou- se ...
Fiquei admirado com as palavras que ele disse me e bateu aquela sensação de arrependimento por não ter dito o que deveria na época em que eu tinha tudo, mas apenas nos olhávamos e simplesmente calavamos nossas vozes. Não confessamos nosso amor, não gritamos as palavras sufocada no peito, simplesmente só nos olhávamos e isso não foi o suficiente.
Se tiver que dizer a alguém seu amor, diga, não sufoque as palavras se quer essa pessoa, vá a luta mesmo que não vença pelo menos terá a sensação de haver tentado. O pior arrependimento e o de não ter feito o que era para ser feito .
Escrito por Alessandra -
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Sábado, Novembro 20, 2004
Mais cinco minutos.
No parque, uma mulher sentou-se ao lado de um homem em um banco perto do playground e falou:.
- Aquele logo ali é meu filho.
Ela disse, apontando para um pequeno menino usando sueter vermelho e que deslizava no escorregador.
- Um bonito garoto. O homem respondeu e completou:
- Aquela usando vestido branco, pedalando sua bicicleta, é minha filha.
Então, olhando para o relógio, o homem chamou sua filha:
-Melissa, o que acha de irmos?
E Melissa suplicou:
-Mais cinco minutos, pai.Por favor. Só mais cinco minutos...
O homem concordou e Melissa continuou pedalando sua bicicleta, para alegria de seu coração.
Os minutos se passaram e o pai levantou-se e novamente chamou sua filha.
- Hora de ir agora?
Outra vez Melissa pediu:
- Mais cinco minutos, por favor pai...
O homem sorriu e disse:
- Está certo!
- O senhor é certamente um pai muito paciente, comentou a mulher.
Mais uma vez o homem sorriu e disse:
- O irmão mais velho de Melissa, Tommy, foi morto por um motorista embriagado no ano passado quando montava sua bicicleta perto daqui.
Eu nunca passei muito tempo com Tommy e agora eu daria qualquer coisa por apenas mais cinco minutos com ele.
Eu prometi não cometer o mesmo erro com Melissa. Ela acha que tem mais cinco minutos para andar de bicicleta, na verdade eu é que tenho mais cinco minutos para vê-la brincar.
Escrito por Alessandra -
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Quinta-feira, Novembro 11, 2004
Escrito por Alessandra -
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Sábado, Novembro 06, 2004
As três peneiras.
Um rapaz procurou Sócrates e disse que precisava contar-lhe algo.
Sócrates ergueu os olhos do livro que lia e perguntou:
- O que você vai me contar já passou pelas três peneiras?
- Três peneiras?
- Sim. A primeira peneira é a VERDADE. O que você quer contar dos outros é um fato? Caso tenha ouvido contar, a coisa deve morrer aí mesmo. Suponhamos então que seja verdade.
Deve então passar pela segunda peneira: a BONDADE. O que você vai contar é coisa boa? Ajuda a construir ou destruir o caminho, a fama do próximo?
Se o que você quer contar é verdade e é coisa boa, deverá passar pela terceira peneira: a NECESSIDADE. Convém contar? Resolve alguma coisa? Ajuda a comunidade? Pode melhorar o planeta e, arremata Sócrates:
-Se passar pelas três peneiras, conte! Tanto eu, você e seu irmão nos beneficiaremos. Caso contrário, esqueça e enterre tudo. Será uma fofoca a menos para envenenar o ambiente e levar discórdia entre irmãos, colegas do planeta.
Devemos ser sempre a estação terminal de qualquer comentário infeliz.
Escrito por Alessandra -
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